Palavras sem tempo
Há coisas intemporais... mas Tu és eterno. E com tantos tempos e estações na vida, deixei-Te em suspenso, nos meandros da minha finitude e da Tua eternidade. Dei de caras Contigo quando Te li nas páginas do meu tempo. E descobri-me frágil, limitada e sedenta de Ti. Não me deste um sólido fascínio passageiro como o vento. Não me remeteste para o fundo do poço onde caem as Tuas prioridades. Mas recebeste-me em dias de solidão e sonho, entre os risos dos outros e o choro mórbido que apagaste da minha memória. Embora o ensejo se deslumbre com o que se recebe sem mérito próprio ou alheio, o coração ferve no lume brando da gratidão presente e imortal como me fizeste. Eu sei que o tempo leva as palavras como o vento espalha o restolho da sega, mas o tempo é-Te indiferente porque estás constante e presente nos segundos que não se contam sem se segredam. E mesmo que agora suspirasse de alívio, de uma só vez, por partir e estar contigo, saberia dizer-Te mais que uma lista de desejos passageiros, uma soma de sorrisos e alegrias... porque foi isto que fizeste em pouco mas com tanto. Transformaste a felicidade desregulada pela alegria enraizada. Deste mais do que gritei e chorei no passado presente. És acima de tudo o que poderia imaginar. Deste-me aquilo que invariavelmente acharia impossível para uma criatura de barro como eu. Não para me calar, como silenciador das minhas orações ocultas que conheceste no escuro. Não para me castigar, como receita fatal de quem procurou em suspiros e martírios o que tinhas. Não por ser eu ou por ser outro alguém, mas por seres Tu, o doador da vida, inteira e eterna na qualidade do tempo e do espaço. E este espaço é Teu. É para Ti. Adoro-Te, Pai.
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Oração | pai | filho de Deus | gratidão
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